fevereiro 22, 2017

LITERATURA NACIONAL x LITERATURA ESTRANGEIRA



OI, GEEEEEEEENTE! *-----*
Mas que saudade IMENSA que eu estava sentindo desse nosso espacinho. S2
Vinte mil anos depois, eu venho aqui, ao Literart, trazer um post que eu estava planejando lançar lá no Facebook, mas que ia ficar imenso, por isso decidi trazer para cá.
O tema de hoje no Casos de Família é:

LITERATURA NACIONAL x LITERATURA ESTRANGEIRA

E para representar o time LINDO de autoras nacionais, deixo aqui essa montagem repleta de lindezas. S2



Bem, é sabido que nesse país maravilhoso em que vivemos, denominado Brasil, muitos sofrem da síndrome de vira-lata, que consiste em acreditar que tudo o que vem de fora é bem melhor do que as coisas que produzimos em nossas terras tupiniquins.
Que isso acontece mesmo não é segredo para ninguém, mas o que tem inundado minha timeline nos últimos tempos lá no Facebook são autoras que não param de reclamar da falta de mercado, incentivo à cultura e entre tantas coisas que inviabilizam que nós, escritores, consigamos viver de nossa arte…
É mesmo uma questão cultural, os brasileiros não são adeptos à leitura (isso generalizando, viu, gente?). Temos pouca gente que lê muito e muita gente que não lê nada, o que deixa o autor em desvantagem, por ter um público restrito, enquanto o leitor tem uma gama de títulos entre os quais se decidir quando pisa numa livraria.
Aqui entra a questão, o motivo pelo qual, muitas vezes, o livro nacional fica esquecido e o internacional leva a melhor…
Você, autor, seja sincero: anos atrás, quando escrever um livro e publicá-lo não figurava nessa cabecinha cheia de criatividade, qual exemplar você escolheria? Aquele da Intrínseca, com letras garrafais na capa contendo os dizeres “Autor Best-seller do New York Times, mais de 6 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo”, ou aquele exemplar nacional despretensioso, da editora Coerência, nova no mercado, descobridora de talentos. O título do livro? Doce Amargo, de uma tal Evelyn Santana (quem?????)?
Não, nem tudo o que vem de fora é melhor. Tem muito livro estrangeiro e ruim. E como tem! Mas a Intrínseca, a Rocco, a Novo Conceito, a Arqueiro e a Record não vão gastar com tradução, revisão, diagramação e impressão de 50 mil exemplares de um livro que não tenha tido uma aceitação muito boa!
Infelizmente, quando se trata de nacionais, não temos um filtro assim tão bom. Não temos na capa “Autor Best-seller com mais de 6 milhões de exemplares vendidos”. Temos editoras pequenas que suam para se manter no mercado, autores inexperientes que, às vezes, tornaram-se leitores assíduos depois de escreverem seu primeiro livro, o que não anula seu esforço e dom.
Nem sempre é questão de síndrome de vira-lata. No Brasil temos esse estigma de que ler é ruim. Por quê? Porque adolescentes que acabaram de sair da infância têm seu primeiro contato com os clássicos na base da obrigatoriedade. Os clássicos são incríveis! Machado de Assis, José de Alencar… mas são incríveis para mim, para minha cabeça de leitora já formada, para alguém que já entende sobre a contextualização da época… Entendo perfeitamente alguém de 13 anos de idade que odeie esses autores com todas as forças. Essa pessoa ainda tem muito a aprender sobre literatura, poucos brasileiros têm a chance de entrar em contato com os livros e ter o prazer pela leitura incentivado desde muito cedo.
Nos Estados Unidos há cursos, oficinas… uma porção de ferramentas para ensinar autores a como conduzir uma história, como incorporar elementos atrativos e trabalhar a narrativa. Infelizmente, esses macetes nos faltam, somos mais instinto que técnica, enquanto escrevemos, e, mesmo assim, somos muito bons!
Nem toda literatura estrangeira é um Best-seller, assim como nem toda literatura brasileira é ruim. Nosso público escasso, no entanto, faz com que autores vejam uns aos outros como concorrentes, inimigos, rivais… querem fazer do leitor um território a ser marcado. Vejo muitos autores nacionais que não enaltecem a literatura nacional. Que não dão uma chance ao colega de profissão.
No fundo, é isso que somos. Colegas de profissão, lutando cada dia para que nossas histórias alcancem mais e mais pessoas.
E tenham certeza de uma coisa: um leitor que odeia nacionais e que conhece e se encanta pelo trabalho de Camila Pelegrini, por exemplo, é o mesmo leitor que pode dar uma oportunidade ao trabalho da Soraya Abuchaim, ou da Juliana Daglio, e, através dela, conhecer a Martha Ricas, Isie Fernandes… Gostar do autor A não vai fazer o leitor desgostar do autor B, ao contrário… pode fazê-lo se encantar também pelos autores C, D, E, F… pelo alfabeto todo!
Não somos concorrentes. Que o mundo entenda isso. Nós, autoras e autores nacionais, não somos concorrentes. Somos colegas de trabalho, que leem, divulgam e prestigiam a leitura nacional, que não deixa nada a desejar.
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