OI,
GEEEEEEEENTE! *-----*
Mas
que saudade IMENSA que eu estava sentindo desse nosso espacinho. S2
Vinte
mil anos depois, eu venho aqui, ao Literart, trazer um post que eu estava
planejando lançar lá no Facebook, mas que ia ficar imenso, por isso decidi trazer
para cá.
O
tema de hoje no Casos de Família é:
LITERATURA NACIONAL x LITERATURA
ESTRANGEIRA
E
para representar o time LINDO de autoras nacionais, deixo aqui essa montagem
repleta de lindezas. S2
Bem,
é sabido que nesse país maravilhoso em que vivemos, denominado Brasil, muitos
sofrem da síndrome de vira-lata, que consiste em acreditar que tudo o que vem
de fora é bem melhor do que as coisas que produzimos em nossas terras
tupiniquins.
Que
isso acontece mesmo não é segredo para ninguém, mas o que tem inundado minha timeline nos últimos tempos lá no
Facebook são autoras que não param de reclamar da falta de mercado, incentivo à
cultura e entre tantas coisas que inviabilizam que nós, escritores, consigamos
viver de nossa arte…
É
mesmo uma questão cultural, os brasileiros não são adeptos à leitura (isso
generalizando, viu, gente?). Temos pouca gente que lê muito e muita gente que
não lê nada, o que deixa o autor em desvantagem, por ter um público restrito,
enquanto o leitor tem uma gama de títulos entre os quais se decidir quando pisa
numa livraria.
Aqui
entra a questão, o motivo pelo qual, muitas vezes, o livro nacional fica
esquecido e o internacional leva a melhor…
Você,
autor, seja sincero: anos atrás, quando escrever um livro e publicá-lo não
figurava nessa cabecinha cheia de criatividade, qual exemplar você escolheria?
Aquele da Intrínseca, com letras garrafais na capa contendo os dizeres “Autor
Best-seller do New York Times, mais
de 6 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo”, ou aquele
exemplar nacional despretensioso, da editora Coerência, nova no mercado,
descobridora de talentos. O título do livro? Doce Amargo, de uma tal
Evelyn Santana (quem?????)?
Não,
nem tudo o que vem de fora é melhor. Tem muito livro estrangeiro e ruim. E como tem! Mas a Intrínseca, a
Rocco, a Novo Conceito, a Arqueiro e a Record não vão gastar com tradução,
revisão, diagramação e impressão de 50 mil exemplares de um livro que não tenha
tido uma aceitação muito boa!
Infelizmente,
quando se trata de nacionais, não temos um filtro assim tão bom. Não temos na
capa “Autor
Best-seller com mais de 6 milhões de exemplares vendidos”. Temos
editoras pequenas que suam para se manter no mercado, autores inexperientes
que, às vezes, tornaram-se leitores assíduos depois de escreverem seu primeiro livro, o que não anula seu
esforço e dom.
Nem
sempre é questão de síndrome de vira-lata. No Brasil temos esse estigma de que
ler é ruim. Por quê? Porque adolescentes que acabaram de sair da infância têm
seu primeiro contato com os clássicos na base da obrigatoriedade. Os clássicos
são incríveis! Machado de Assis, José de Alencar… mas são incríveis para mim, para minha cabeça de leitora
já formada, para alguém que já entende sobre a contextualização da época…
Entendo perfeitamente alguém de 13 anos de idade que odeie esses autores com
todas as forças. Essa pessoa ainda tem muito a aprender sobre literatura,
poucos brasileiros têm a chance de entrar em contato com os livros e ter o
prazer pela leitura incentivado desde muito cedo.
Nos
Estados Unidos há cursos, oficinas… uma porção de ferramentas para ensinar
autores a como conduzir uma história, como incorporar elementos atrativos e
trabalhar a narrativa. Infelizmente, esses macetes nos faltam, somos mais
instinto que técnica, enquanto escrevemos, e, mesmo assim, somos muito bons!
Nem
toda literatura estrangeira é um Best-seller, assim como nem toda literatura
brasileira é ruim. Nosso público escasso, no entanto, faz com que autores vejam
uns aos outros como concorrentes, inimigos, rivais… querem fazer do leitor um
território a ser marcado. Vejo muitos autores nacionais que não enaltecem a
literatura nacional. Que não dão uma chance ao colega de profissão.
No
fundo, é isso que somos. Colegas de profissão, lutando cada dia para que nossas
histórias alcancem mais e mais pessoas.
E
tenham certeza de uma coisa: um leitor que odeia
nacionais e que conhece e se encanta pelo trabalho de Camila Pelegrini, por exemplo, é o mesmo leitor que pode dar uma
oportunidade ao trabalho da Soraya
Abuchaim, ou da Juliana Daglio,
e, através dela, conhecer a Martha Ricas,
Isie Fernandes… Gostar do autor A
não vai fazer o leitor desgostar do autor B, ao contrário… pode fazê-lo se encantar
também pelos autores C, D, E, F… pelo alfabeto todo!
Não
somos concorrentes. Que o mundo entenda isso. Nós, autoras e autores nacionais,
não somos concorrentes. Somos colegas de trabalho, que leem, divulgam e
prestigiam a leitura nacional, que não deixa nada a desejar.

Amei o post, eu amo a nossa literatura, e dos 12 livros que li esse ano, 12 são nacionais...Nenhum “Autor Best-seller com mais de 6 milhões de exemplares vendidos” e todos maravilhosos...Quem não lê nacional não sabe o que está perdendo. Li até um livro chamado Doce Amargo de uma tal Evelyn Santana, muito bom...Bjs
ResponderExcluirAh, Gil! Por acaso já ouvi falar desse livro! Hahahah’
ExcluirA verdade é que nós temos muita coisa boa aqui no Brasil também, assim como lá fora tem muita coisa ruim. Eu já tive a chance de conhecer autores brasileiros muito melhores que muito Best-seller, viu?
Lindo post. Pontos simples e fundamentais, né?
ResponderExcluirTwwwiiiin! Não é preciso muito para falar dos estigmas impostos a nós, não é mesmo?
ExcluirConcordo com tudo. Infelizmente julgamos o que vem de fora como se fosse melhor que o nosso, sem ao menos darmos uma chance ao nacional. Já li muita porcaria considerada best-seller e já me surpreendi com livros brasileiros. Mais triste ainda é ouvir de leitores vorazes a frase: "é nacional? Ah, então não leio.". Como se toda tradução fosse boa, como se todo autor fosse grande lá fora. Claro que já li livro fraco em português também, mas isso não me impede de sempre tentar mais. Agora, uma coisa é certa, enquanto as escolas continuarem a enfiar Memórias Póstumas de Brás Cubas goela abaixo dos adolescentes de 13 anos, esse aspecto não vai mudar. Sério, é o que meu filho está lendo neste momento. :(
ResponderExcluirPois é, sis. Concordo plenamente! Imagina só, já é difícil pra um adulto ler Machado. Clássicos são clássicos, gente! Trazem reflexão, aspectos que uma sociedade que não nos é familiar, construções textuais arcaicas, palavras rebuscadas… imagina um adolescente que é fã de Diário de um Banana tendo que ler Memórias Póstumas de Brás de Cubas, Senhora, O Alienista… entre tantos outros títulos. São livros ricos, maravilhosos e parte da nossa cultura, mas não se pode empurrar cultura em ninguém.
ExcluirParabéns pela iniciativa em defender a literatura nacional! Independente de vc ser ou não uma autora nacional, acredito no seu potencial de discernir o que vale ou não a pena. Também já li muito best seller ruim e tupiniquins maravilhosos. Eu, enquanto autora nacional, sinto na pele, principalmente em grandes feiras como a Bienal de São Paulo e Rio, a preferência discriminatória pelos estrangeiros, mas jamais culpo o leitor, pois como vc mesma disse, é cultural. Ainda assim, não desisto! E concordo novamente com vc, a mudança deve começar por nós autores nacionais, olhar para os nossos colegas como aliados, entender que quem se encantar com um livro nacional poderá se encantar com outro nacional e assim derrubar as barreiras contra a nossa literatura tão grandiosa.
ResponderExcluirBeijos
Lindas palavras, Eli! Você é uma das grandes referências de autoras bem-sucedidas, que conseguiu propagar seu trabalho e esgotar tiragens mesmo fora de editoras como Verus, Intrínseca e tantas outras. Isso é mérito do seu talento, não tenha dúvidas disso.
ExcluirEu vejo de perto o quanto você prestigia nossa literatura, lê, divulga, presenteia… e isso me deixa muito feliz! Por mais pessoas como você! s2
Que delícia ler algo tão esclarecedor, crítico e sensível. Eve, sou fã da profissional e pessoa que você é, e me orgulho por ter alguém alguém tão completa no meio literário. Todos nós ganhamos muito com isso!
ResponderExcluirObrigada por sempre citar meu trabalho.
Love u <3
Camis! S2
ExcluirVocê sempre vai estar presente quando eu estiver falando de autores e autoras nacionais de sucesso e completos! Eu me sinto privilegiada por ter tido a chance de trabalhar com você, porque a sua escrita, sensibilidade e carisma me abriram os olhos para as demais coisas boas que temos dentro na sua literatura.
Você é um talento em forma de gente! Uma escritora de mão cheia! Sou fã do seu trabalho, da sua pessoa e da pessoa do Stark. Hahaha
P.S: Luv u back.
Muito bom ver postagens assim, infelizmente é a verdade sobre nossa literatura e cabe à nós que estamos próximos ao meio literário tentar mudar e chamar mais gente para o lado verde e amarelo da força.
ResponderExcluirTambém acho que cabe a nós mudar isso. Nem tudo é culpa do leitor/consumidor. Autores, blogueiros… nós temos nossa função em difundir a literatura nacional e juntos somos muuuito mais fortes.
ExcluirAmei o post ! Ficou lindo ��, apoio muito a literatura nacional, antes só lia os internacionais, mas depois que passei a ser blogueira vi que no Brasil também tem livros ótimos, ansiosa para ler o seu livro ������
ResponderExcluirAcho que todo mundo começa com os internacionais, não é? Os livros famosos que ganharam fãs ao redor do mundo. Isso é normal.
ExcluirMas é bom darmos chance para nossas produções também. Nós produzimos muita coisa boa.
Perfeito, não há nada a acrescentar. Somos TODOS, parceiros.
ResponderExcluirIsso mesmo, Ricardo! Fico feliz que concorde comigo. S2
ExcluirExcelente texto! Eu confesso que não costumo ler muito os autores nacionais contemporâneos. Leio mais literatura estrangeira e de Literatura Nacional conheço os clássicos. Amo ler! Minha escolha pelos autores de fora não é porque os da casa não sejam bons, mas sim porque, na minha opinião, dentre tantas outras características, ler é viajar. E gosto de viajar por outros lugares, conhecer outras culturas. Mas estou dando chance para os nacionais. No momento estou lendo "Aos olhos de Zoe" da Camila Pelegrini e estou curtindo.
ResponderExcluirClecia, querida, fico feliz que esteja dando uma chance à Zoe! Esse livro é lindo e a autora, Camila Pelegrini, é um ser humano incrível!
ExcluirLer é mesmo viajar, viver outras vidas, conhecer outras culturas… mas também há muitas autoras nacionais que ambientam seus livros no exterior. Meu romance, Doce Amargo, se passa nos Estados Unidos, porque eu também gosto dessa parte de me inserir em outro contexto, que não o brasileiro. Isso não é problema algum.
Somos espíritos livres, antes de qualquer coisa. S2